Portugal para brasileiros: Sonho ou projeto?

 Sonho ou Projeto? Onde começa um e onde termina o outro? O que há por trás dos dois? Quando o projeto enfrenta obstáculos o sonho vira pesadelo? 

Quantas questões precisam ser avaliadas por quem pretende imigrar para Portugal, não é mesmo?! Sim, para além do sonho de ter mais qualidade de vida, de um recomeço com mais segurança, de uma formação específica de qualidade e de muitos outros objetivos possíveis e imagináveis, é importante transformar o sonho em um projeto bem estruturado e que, principalmente, preveja vários cenários, pois acredite: muita coisa vai mudar durante o processo.

É natural que na ideação sejamos um pouco otimistas demais e está tudo bem com isso, no começo.

Essa visão otimista nos ajuda a encontrar estímulos para elaborar o planejamento focado em objetivos, tornando-os práticos e tão tangíveis quanto possíveis. Mas em um determinado momento é preciso ser capaz de desenvolver uma visão mais objetiva e realista.

Imigrar envolve muitos processos que começam no país de origem, ou pelo menos deveriam começar. Desde uma pesquisa aprofundada do país de destino que leve em conta o clima, a cultura local, a legislação, a oferta de trabalho ou oportunidades de empreender, localização de hospitais, escolas, delegacias, consulados e/ou embaixada representantes do país de origem e muito mais. 

Não dá para descuidar da pesquisa detalhada e profunda, tanto quanto não dá para ignorar os processos legais e burocráticos que inevitavelmente fazem parte de um projeto de imigração. E isso tudo ganha outras proporções se o projeto envolve uma família inteira.

E para cada dúvida um "SE"!

Mas o que eu quero dizer com isso? Simples, para casa questão relevante você precisa assumir um pouco o papel de "advogado do diabo" e considerar possíveis equívocos na pesquisa ou mesmo mudanças de cenários com planos de contingência que possam se encaixar no seu planejamento inicial e evitem a "quebra"do projeto, obrigando-te a voltar e repartir do zero. Por exemplo, você fez um checklist de critérios para a escolha da cidade ideal numa determinada região e escolheu, hipoteticamente, Viana do Castelo, no distrito omonimo. Convém repetir o processo para pelo menos para mais duas cidades, pois se os requisitos mudarem ou não forem correspondidos como você planejou que fossem ficará mais rápido (e barato) tratar o assunto e corrigir a rota mudando de cidade. Uma situação muito comum é que o imigrante escolhe uma região, consegue um imóvel para arrendar e ao chegar percebe que está pagando um preço acima da média e que ao se deslocar para uma cidade vizinha (ou mesmo um bairro) que atende basicamente quase todos os requisitos da anterior, por um custo benefício muito maior. Outro exemplo é alugar uma casa de 3 quartos (mais cara) e perceber que poderia facilmente adaptar-se a outra de 2 quartos apenas. O contrário também acontece. Algumas pessoas, tentando economizar, preferem alugar quartos em casas compartilhadas e depois de 3 meses percebem que é insuportável dividir o banheiro com inúmeras pessoas desconhecidas e onde, muitas vezes, não fica claro de quem é a responsabilidade da limpeza das áreas comuns.

No final é importante ter em mente que mudanças e surpresas inevitavelmente irão acontecer e que quanto mais previsíveis elas forem e quanto mais você estiver preparado para elas e para os ajustes de rota você estiver, mas chance de sucesso ao longo do tempo terás. 

Sabe aquela sensação de que está fazendo um bom trabalho e que está feliz no emprego, mas que "do nada" a empresa te demite? Pois é, isso também acontece quando se é imigrante. Muitas vezes nem é por uma questão sua diretamente, mas a empresa pode estar encerrando um projeto, ter falhas no fluxo de caixa, etc. E te mandam pra casa. É preciso estar preparado para procurar outra coisa e evitar essas pequenas frustrações, que somadas, te sugam as forças psicológicas para concluir o projeto com sucesso.

Agora, fica a dica: projeto tem começo, meio e fim. Defina metas e objetivos claros, como se fossem entregas/recebíveis. E uma vez alcançado o escopo do projeto, parte pra outro. Assim você evita coisas como "Quero ser feliz em Portugal com minha família" ou "Quero ficar rico em Portugal" e no primeiro viés você entristece e se frusta achando que não é feliz e que fracassou. Seja específico!

Outro exemplo real é que compramos um carro elétrico para economizar com combustíveis e viajar bastante, mas estamos 6 meses procurando um eletricista que venha fazer a instalação da tomada domiciliar e não conseguimos, por um preço justo. Ou seja, até agora a economia relativa não se deu, pois carregar fora de casa coloca os custos no mesmo nível do veículo a combustão. Para além das vantagens ambientais de se ter um veículo menos poluente, perdemos muito da mobilidade, pois a oferta de carregamento ainda é muito menor que a de postos de combustíveis, principalmente se seu objetivo for fazer viagens longas. Isso sem falar que no geral os veículos elétricos custam um pouco mais que os a combustão.

Um aspecto não menos relevante é quanto a mobilidade urbana. A necessidade de locomoção simultânea de mais de um dos membros familiares, para por exemplo, trabalhar e se locomover. Ou seja, você tem de ter dois veículos ou alguém, em determinado momento, vai precisar se adaptar ao transporte publico. E que diga-se de passagem muitas vezes não atende todas as localidades ou atende de forma precária, mesmo aqui na Europa.

Então, a todos os momentos você vai precisar lhe dar com essas situações que são ordinárias e até simplórias, mas que podem ter um impacto grande no planejamento financeiro. E você já faz isso no país de origem, porém não é raro criar uma ilusão de que com planejamento isso não vai acontecer com você.

Conclusão? Não pare de sonhar, planeje sempre, mas esteja preparado pra tudo com fé e bom ânimo, pois a vida se vive aos pouquinhos.

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